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Notícias da Fundadora

Serva de Deus Madre Maria São Miguel Poux

Este espaço é dedicado ao registro e à divulgação de conteúdos relacionados à vida e ao testemunho da Madre Maria São Miguel Poux, Serva de Deus e Fundadora da Congregação dos Santos Anjos, batizada como Bárbara Elisa (em francês, Barbe Élise).

 

Aqui você encontrará conteúdos que apresentam e aprofundam sua história e espiritualidade, contemplando:

  • Sua família e infância

  • O despertar de sua vocação

  • Sua missão e carisma

  • Sua espiritualidade e caminho de santidade

  • Suas virtudes heroicas e ensinamentos

  • A vivência das virtudes teologais em sua vida

  • A história e a missão da Congregação por ela fundada

  • Notícias e atualizações sobre o processo de beatificação

  • Relatos de graças alcançadas por sua intercessão

  • Informações sobre possíveis milagres

  • Orações próprias

  • Outras notícias e conteúdos relacionados

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Vocação que Nasce no Coração de Deus

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Serva de Deus Madre Maria São Miguel Poux, Fundadora da Congregação dos Santos Anjos

Quando Deus pensou na criatura humana, Ele a criou à sua imagem e semelhança, colocou em seu coração e em sua alma, uma centelha de amor, capaz de amá-Lo acima de tudo, amar e respeitar os seus semelhantes, cuidar do Planeta, sendo justo, honesto, com a capacidade de sonhar, ser feliz, prosperar e ajudar a humanidade a ser melhor, ou seja, a ser de Deus.

Assim, não foi diferente com Madre Maria São Miguel Poux, Fundadora da Congregação dos Santos Anjos.

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A saída de Lons e a partida para Morez

“Senhor, que a vossa Vontade seja feita!”

O ano de 1839, foi de muito sofrimento para Élise, conforme vimos no texto anterior,e ainda mais com o falecimento, quase repentino, no dia nove de abril, da sra. Poux, sua querida e amada mãe. A dor era imensurável para Élise, e todas as pessoas que a conheciam choravam sua morte, pois ela era encantadora e de uma bela alma e de um coração generoso.Mas a filha, apesar da saudade e da dor que sentia pela perda da mãe, mantinha-se forte e corajosa, porque tudo entregava ao PAI e só a Ele queria servir. E sempre repetia: “Deus só!”

No dia dois de novembro, como compensação das ofensas sofridas, Élise recebeu do prefeito de Lons, sr. Houry, um prêmio da Academia, sob a forma dos Evangelhos ilustrados, que a comissão do Distrito lhe havia conferido, no mês de julho. Era a segunda vez que ela obtinha semelhante recompensa por seu talento e dedicação. A primeira vez, alguns anos antes, havia sido convocada à “Chevalerie” para receber um prêmio, ao som das fanfarras. Na sua humildade e simplicidade, sentiu-se muito constrangida.

Em 1840, Élise perdeu algumas das suas colaboradoras, por questões pessoais, além do falecimento da sra. Poux no ano anterior e de Colette Guye, ficando apenas com duas sem a experiência necessária, Anaïs Avis e Augustine Bidot. Além disso, foi chamada, insistentemente, para assumir a direção da escola Normal, o que ela não desejava porque queria ser fiel ao Santos Anjos e seguir como religiosa.

Élise queria sair de Lons, mas não havia um lugar específico. Intensificou a oração, a penitência e ouviu conselhos dos padres seus amigos, do cônego Poux, seu irmão e do Bispo Diocesano. Foi informada que, em Morez, havia problemas com a escola, pois o Pároco precisou demitir a diretora que havia feito escândalo.Era necessário designar outra diretora que fosse confiável e digna da função.

Élise teve uma entrevista com o Cônego Grenier, de Morez, que ficou encantado com ela e a partida ficou decidida. Os padres e o Bispo aprovaram a transferência de Lons-le-Saunier para Morez. Chegando em casa, conversou com as suas duas auxiliares, Anaïs e Augustine que não hesitaram em segui-la e, como renúncia ao mundo, passaram a usar trajes de luto. Assim, Élise decidiu reavivar o renascimento da Congregação dos Santos Anjos, em Morez.

E como avisar as famílias das alunas da sua partida? Faltava pouco tempo para a entrada das aulas. As visitas começaram e elas ficaram estupefatas, ainda mais quando souberam que tudo já se encontrava organizado e que as aulas em Morez teriam início no dia 3 de novembro. A indignação tomou conta e as injúrias também. ‘Elisa é louca! Deixar um estabelecimento próspero pelo “buraco” de Morez!?É uma inconstante.É uma visionária.’Um homem, no entanto, disse para quem quisesse ouvir: “Ela é uma louca ou uma santa”.

Essa é uma profecia simples que Deus coloca na humanidade através de pessoas descomplicadas.

No dia 21 de outubro de 1841, quando começou o carregamento do mobiliário escolar, outra leva de insultos e novas injúrias contra Élise: ‘Ela é uma ladra da localidade e das órfãs.’ Alguém, porém, disse: ‘Vocês estão cometendo um erro. Tudo é dela. Nada é da localidade. E como roubar das crianças órfãs que nada têm?’ E assim, aos poucos,as injúrias foram cessando.O Padre Grenier, de Morez,providenciou a limpeza da escola. Élise mandou, para receber o mobiliário uma jovem de 18 anos, a noviça, Caroline Lottin, recém chegada ao Santos Anjos que também aceitou usar o traje de luto e, em breve, se chamaria Irmã Marie Seraphine. Com ela, foram também as duas sobrinhas de Colette Guye e mais uma doméstica que estava no Santos Anjos há alguns anos a quem muito estimava. Tudo foi organizado e preparado com gosto e muito funcional, inclusive os cômodos que seriam utilizados pelas Irmãs.

No dia 25 de outubro, após deixar Lons-le-Saunier, chegam a Morez, Barbe-Élise, Augustine Bidot e Anaïs Avis, tendo interrompido a viagem em Saint-Claude, para se encontrar com os cônegos Poux e Ecoiffier e com o Bispo Dom de Chamon que as animou e abençoou. Também foi tratada a questão da Congregação e aprovado o seu reinício, com alegria, fé e esperança. Ainda nesse bispado, Élise passa a ser “ma Mère”- Irmã Maria São Miguel , Anaïs seria - Irmã Filomena e Augustine - Irmã São José. Assim, elas chegaram a Morez podendo ser reconhecidas como religiosas.

A saída de Lons causou muitas feridas no coração de Élise. Ela deixou uma paróquia que lhe era tão cara, uma casa onde se dedicou por dez anos, o túmulo de sua amada mãe. Mas, depois de tantas provações que haviam sacudido a comunidade e a tinham desorganizado, reduzindo-se a quase nada, era necessário reencontrar a calma para que a Congregação pudesse renascer em bases mais sólidas. Assim ia ser escrita uma nova página, dessa vez não mais por Barbe-Élise Poux, mas por Mère Marie Saint-Michel Poux!

Mère Poux, certamente refletia as palavras de Jesus ( Jo 15, 16 ) e nelas encontrava forças:

“Eu vos escolhi e vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que vosso fruto permaneça”.

E quantas vezes, ainda, deve ter repetido no íntimo do seu coração:

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Dificuldades surgidas em Lons-le-Saunier

É preciso, em qualquer tempo dizer: "Que Vossa vontade seja feita, Senhor". Mère Poux

A vida é feita de alegrias e de dificuldades. De sorrisos e de lágrimas. De encontros e desencontros. Porém, em cada situação, temos a certeza da presença amorosa de Deus Pai.

Podemos dizer que assim foram os dez anos vividos por Élise em Lons-le-Saunier. Em meio a muitas consolações, surgiram sofrimentos, sempre oferecidos a Deus e que muito favoreceram o caminho que a conduziu à santidade. Por isso, e por sua vida de doação, após quase dois séculos é lembrada com alegria, gratidão, respeito e veneração, não só pelas religiosas dos Santos Anjos, mas também pelos Fraternistas Santos Anjos e por todos os que conhecem a sua vida e santidade.

O Colégio ia bem, com grande desenvolvimento das alunas, mas a vida religiosa foi ficando cada vez mais difícil. Havia piedade, porém, o relacionamento era muito desgastante.

Por diversas vezes, Élise pensou em desistir, pois era praticamente impossível, continuar vivendo o caos que se instalou na comunidade, causado por inveja, ciúmes e falta de vocação para a vida religiosa. Havia contra testemunho, alguns desencontros que minavam as forças e que “só por Deus” dava para suportar e continuar a missão.

No processo de santificação, Élise oferecia tudo a Deus, pois era só a Ele que buscava continuamente. E na oração e adoração, encontrava forças para suportar o peso que se tornava cada vez mais insuportável. E sempre repetia: “A provação bem aceita e recebida com fé, é força em nossa vida”.

Como tudo começou: Elisabeth Bénier, uma das irmãs colaboradoras, e que já estava trabalhando no internato antes da chegada de Élise, possuía um desejo grande de autoridade, uma ânsia de tudo controlar, de criticar, de defender suas ideias, de se impor. Ela foi o maior “pivô” das discórdias causadas na comunidade, com a defesa dos seus interesses. E conseguiu algumas adeptas.

Por outro lado, Élise, de fino trato e fiel à missão recebida, tudo defendia de acordo com o Evangelho e sempre para o bem da instituição, de “formar corações para Deus”.

Elisabeth Bénier e suas adeptas, tinham mais interesse pelas suas obras particulares do que pelo Instituto. Embora piedosas e dedicadas, pessoas de espírito independente, de inteligência e de cultura limitadas, não podem ser boas religiosas. 

No entanto, o motivo principal foi o Orfanato anexo ao internato e que que existia antes do Colégio. Dizia-se que as órfãs não recebiam a devida atenção, entretanto eram educadas muito acima de sua condição. A chegada no internato de uma órfã, Anaïs Avis, de saúde frágil e de dons especiais para música, suscitou ciúmes (Élise via nela uma futura religiosa dos Santos Anjos). Essa menina, foi aceita no internato a pedido do Padre Poux.

E Élise defendia que era necessário ser fiel ao objetivo principal do Colégio dos Santos Anjos de “educar jovens da sociedade de maneira digna de Deus”, mesmo tendo recebido a Anaïs Avis, em situação especial. Por outro lado, a diretora sempre tratou as órfãs com o maior cuidado e carinho, não deixando nada faltar, inclusive na formação.

No decorrer do ano de 1839, para amenizar a vida comunitária, e com autorização dos superiores eclesiásticos, decidiu-se que as órfãs seriam transferidas para outra casa, sob a coordenação de Elisabeth Bénier, auxiliada por Marie Martin e Victorine Petetin. Falava-se horrores a respeito de Élise, que só queria ficar com as meninas ricas. Ela, porém, se mantinha calma, resignada, reconfortava seu coração, na oração do Rosário e na prática da Via Sacra.

Apesar dos comentários ofensivos que a partida das três colaboradoras de Élise suscitaram a seu respeito, para ela, essa partida não deixou de ser um alívio. Já era tempo de se resolver essa crise que durava mais de um ano.

O Internato, apesar das dificuldades, mantivera-se bem e isso se verá ao final do ano, por ocasião da distribuição dos prêmios e da exposição magnifica de trabalhos manuais – prova de que Elisabeth Bénier, que os dirigia antes, não era indispensável. O público louvará, então, as pessoas que ficaram fiéis à casa.

Assim, os ombros de Élise Poux estavam aliviados de uma cruz pesada. Poderia dedicar-se mais à vida religiosa. E a todo instante, repetia:

Busquemos somente a Deus”.

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Retiro da Fraternidade Santos Anjos

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Queremos agradecer à Irmã Emiliana da Silva Faria, Secretária Geral da Congregação  que, com tranquilidade, sabedoria e conhecimento, coordenou o Retiro da Fraternidade Santos Anjos, descrevendo os sofrimentos e as alegrias vividas por Madre Maria São Miguel Poux, desde o início da Fundação da Congregação dos Santos Anjos, em Lons-le-Saunier.

Excelente trabalho em favor da Beatificação da nossa Fundadora. 
Gratidão, sempre.

 O Retiro aconteceu nos dias 27 e 28 de junho de 2026, na Betânia, em Vassouras, RJ

Irmã Terezinha Tomazi,
Coordenadora da divulgação das notícias da Fundadora.

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Como se desenvolveu a vida cristã no Santos Anjos, em Lons?

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Em meio às alegrias e dificuldades, de uma recém fundada Congregação eColégio católicopara alunas de famílias burguesas, como estava a vivência cristã, em Lons?Vejamos.

Élise, era uma mulher culta, muito preparada e de um relacionamento profundo com Deus, desde a sua tenra idade. Sempre muito preocupada com a vivência do Evangelho, procurava todos os meios para formar os “corações para Deus”. O fato de ser muito estimada pelas alunas, ajudava nessa formação, pois seu modo de ser e de agir, reafirmava o que ensinava. Não havia dúvidas quanto a isso. Sempre motivava e esclarecia todas as ações propostas, como práticas de amor a Deus e a caridade para com o próximo.

No Advento, de 1832, a diretora sugeriu a confecção de um “enxoval para o Menino Jesus”, destinado a uma criança pobre que nascesse no Natal. Ela mesma cortava toucas, camisinhas, camisolas, que foram feitas pelas meninas. A partir desse ano, foi sempre assim preparada a festa do nascimento do Deus Encarnado. E esse belo costume permanece até hoje em nossos colégios.

Com o aumento das alunas, Barbe-Élise reorganizou as congregações da Santíssima Virgem e de São Luiz de Gonzaga. E houve uma boa adesão e participação.

Durante a Quaresma, levava as alunas para as orações que se faziam na paróquia. Às 6as feiras, como recompensa, pela obediência e aplicação, conduzia algumas meninas à igreja de Saint-Désiré para o ofício da Via Sacra, que terminava às 3h da tarde.

No ano de 1833, no mês de Maria, Élise iniciou a prática mariana, com o internato, no oratório da escola. Muitas pessoas quiseram participar, e por isso foi necessário transferir a celebração para a paróquia. Uma imagem da Virgem Maria foi colocada em destaque e era diante dela que se faziam as orações. Tudo era feito em consonância com o pároco.

As outras paróquias vendo o sucesso dessa prática, adotaram esse exercício mariano, que, certamente, agradou muito a Santíssima Virgem, nossa grande intercessora.

Nesse mesmo ano, por ocasião da festa de Pentecostes, Élise motivou as alunas de 12 a 15 anos para participar do catecismo na paróquia. Surgiu um fato curioso: Todas as perguntas que o catequista fazia, as alunas dos Santos Anjos respondiam corretamente, o que gerou inveja das outras catequisandas,pois julgavam que o padre lhes dava, anteriormente, as perguntas e as respostas.

Para as festas principais e as solenidades na paróquia, Élise enviava tudo o que pudesse servir para ornamentar os altares. Foi com esse cuidado que a quintafeira santa e a festa do Corpo de Deus passaram a ter tronos eucarísticos que maravilhavam a população. Durante algumas semanas, nos recreios, confeccionava com as alunas os materiais necessários, flores, folhas, guirlandas, auxiliada pela habilidosa Marie Martin, sempre pronta e disponível. Na festa da Assunção, algumas de suas alunas, de roupa azul e véus longos de filó, formavam guarda em honra da Virgem Maria e enfeitavam esses momentos.

O povo que não estava acostumado a ver essas práticas, ficava encantado e admirado, participava, com alegria, das procissões e dos ofícios celebrados, crescendo como cristãos, no amor a Deus e aos necessitados.

A intenção de Élise, era preparar as alunas na sua vivência cristã para que se tornassem na sociedade, exemplos de transformação, de piedade, de fervor, com famílias amadurecidas e bem estruturadas, onde reinasse a fé, a esperança e a caridade.

Assim, muito boas cristãs e ótimas famílias foram surgindo, graças à formação dada por Élise, que repetia às suas colaboradoras:

“Nossa obra principal: formar Jesus Cristo no coração dos alunos...”Mère Poux

                             

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A vida no Santos Anjos em Lons-le-Saunier a partir de 1832

“Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”. Rm 8,28

No decorrer do Ano Escolar – 1831-1832 – Élise foi adquirindo uma admiração e respeito por parte, não só das alunas e suas famílias, mas da sociedade em geral.

Assim, no dia 27 de setembro de 1832, o prefeito de Lons conferiu à Diretora Barbe-Élise um certificado atestando que “seus bons princípios, sua mansidão e sua conduta reservada granjearam-lhe a estima geral de seus concidadãos”. Assinado: Courbet – primeiro adjunto.

Certamente esse certificado causou alegria a todos, pois receber um reconhecimento púbico é motivo de honra, alegria e louvor.Para Élise, porém, tudo era atribuído ao bom Deus.

Élise era uma alma reta e sem complicações. “Ela é simples como uma folha de papel”, dizia dela o padre Jean Ecoiffier. Nada de rodeios, por exemplo, na sua maneira afável de receber Dom de Chamon, no internato. Para cada pessoa, mostrava-se amável, solícita, delicada, sem artifícios. Por isso, todos se afeiçoavam a ela, em primeiro lugar suas alunas, depois todos que se aproximavam e a conheciam.

Barbe-Élise aproveitou o mês das férias para organizar a vida religiosa das Irmãs dos Santos Anjos, começando pelo retiro anual e comunitário orientado pelo padre Ecoiffier.

Ao final do Retiro, as mademoiselles, receberam um nome religioso. Élise Poux recebeu o nome do Arcanjo Saint-Michel; Elisabeth Bénier, o de Saint Raphael; Victorine Petetin, o de Saint Gabriel; Colette Guye tornou-se Irmã Séraphine; senhorinha Mangin, a futura carmelita, recebeu o nome de Thérèse, e a última chegada, Marie Martin, guardou o nome de Marie. Esses nomes de religião foram conhecidos somente dos superiores e dos amigos íntimos, desde então, essas Irmãs trouxeram ao peito, discretamente, uma pequena cruz de prata sobre a qual estavam gravadas as iniciais de seus quatro votos: pobreza, castidade, obediência e dedicação.

Élise Poux, em seu 1º. Ano em Lons, assegurou uma ótima reputação de sua casa, tanto pela seriedade dos estudos como pela educação que aí se dava. Por isso, a entrada das aulas de 1832 viu aumentado notavelmente o número das alunas, e a de 1833 contou entre as suas novatas, as duas sobrinhas do bispo de Saint-Claude – Zoé e Joséphine de Chamon – que o tio fizera vir de Cambrai; belo testemunho fornecido pelo Bispo à formação que se dava no internato dos Santos Anjos.

No entanto, nem tudo na escola de Élise era perfeito. Quando aconteciam travessuras a Diretora se mostrava severa. Corrigia com autoridade, mas com equilíbrio, bondade e ternura.

Quando Élise tomou conhecimento das discussões entre as alunas externas com as alunas de outra escola, exigiu de suas alunas a moderação, a polidez, o espírito de Jesus Cristo e fez com que prometessem conduzir-se segundo os princípios cristãos. Mostrou-lhes, assim, como o repetirá muitas vezes a suas colaboradoras, que “a rivalidade dos estabelecimentos é a emulação”. Para que o internato seja abençoado por Deus, “cedam sempre, minhas filhas. Retribuam o mal pelo bem. É preciso isso para ser cristã. E se querem ser a honra das boas cristãs, é preciso que sua piedade seja amável”.

 

Assim, aos poucos, a paz voltou a reinar no Internato Santos Anjos.

Pelos bons “ecos” que ressoavam dos Santos Anjos, Élise recebeu novas auxiliares, jovens que aspiravam a vida religiosa, que tanto pelo saber como pelo critério, eram bem capacitadas para o ensino. Eram elas: Celestine Dosmann, Marguerite Gay e Henriette Bessan.

Embora Élise e suas companheiras fossem muito discretas e usassem traje secular, algumas alunas tiraram logo a conclusão de que eram religiosas pela piedade, silêncio, obediência e de alguns livros que usavam. Quiseram, então, fazer honra a sua casa e, desse modo, contribuir para a fundação da Congregação: “É talvez, diziam elas, a única oportunidade que temos de fazer alguma coisa por um convento”.

E Élise muito se alegrava com as boas ações das suas alunas. E repetia sem cessar:

“Busquemos somente a Deus!”

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Ressonâncias do primeiro ano de fundação do Colégio e da Congregação

Se, em pleno século XXI todo início é difícil, podemos imaginar as dificuldades enfrentadas por Barbe-Élise no primeiro ano da fundação da Congregação dos Santos Anjos e do Colégio, em Lons-le-Saunier.

O Colégio ia bem, com o reconhecimento da sociedade e com o desenvolvimento das alunas, tanto nas matérias científicas, como na educação e no despertar da vida cristã.

As meninas de oito e nove anos, entregues aos cuidados da senhora Elisabeth Poux, estavam muito bem, ainda mais que a mãe de Élise, além da formação, muitas vezes agia como vovó, dando gulodices às crianças. E não é necessário dizer que elas amavam.

Ao final do ano escolar, foram realizados exames públicos, o que foi novidade na sociedade ledoniana. Era preciso estar muito bem preparado para se enfrentar esse tipo de exames. E houve aplausos!

Além disso, Élise deu uma importância singular ao catecismo da paróquia de Saint-Désiré, ao retiro preparatório à primeira Comunhão e formou um coral, com as alunas maiores, o que muito agradou ao Père Agathange e foi apreciado por todos.

Também introduziu, no internato, a prática do Mês de Maria, não conhecida em Lons, mas que foi acolhida com muita alegria por todas as pessoas do internato e depois na paróquia.

Em 1832, na primavera, a calma foi atingida com algo preocupante. A capital francesa foi tomada pelo flagelo mortífero do “cólera morbo”, e houve muita comoção e medo no internato, no convento e na sociedade. Porém, no dia 15 de abril de 1832, por ordem do Bispo de Saint-Claude, realizaram-se procissões nas principais cidades da diocese, para se obter a preservação da epidemia. Assim e também com todas as providências e cuidados, felizmente, o mal do cólera, poupou a região do Jura, onde se localiza Lons-le-Saunier.Graças a Deus, se dizia a todo instante, e a calma voltou a reinar.

Antes de iniciar o ano escolar em 1831, Élise recebeu da Prefeitura o documento abaixo:

“Nós, prefeito da cidade de Lons-le-Saunier, à vista do certificado de excelente conduta conferido pelo Senhor Prefeito de Poligny a Mlle Poux, professora, morando na dita cidade, e conforme os bons testemunhos que nos foram dados sobre sua instrução, sobre sua capacidade e sobre seus princípios, concedemos-lhe, de bom grado, no que nos concerne, a autorização que ela nos pede de abrir uma escola e de manter um internato de jovens em Lons-le-Saunier, com a condição de se conformar às leis e regulamentos escolares.

Na prefeitura, em Lons-le-Saunier, 6 de setembro de 1831.

O primeiro-adjunto nas funções de prefeito.    Assinado: Cuenne”

OBS: É bom lembrar que Élise possuía o diploma de curso superior, o que lhe dava muita credibilidade.

 

Quanto à vida religiosa, dificuldades também foram surgindo. As professoras do internato, que passaram a fazer parte da nova Congregação votada à educação cristã das jovens da sociedade, deveriam seguir o regulamento preparado por Élise: estudar todos os dias, preparar bem as aulas, cumprir os horários de oração e de silêncio, fazer visitas ao oratório, onde foi colocada a Via Sacra e com a presença de Jesus Eucarístico e fazer visitas ao Santíssimo Sacramento na igreja paroquial. Os dias eram bem cheios de compromissos e atividades. Mas havia esforço, coragem e piedade.

Élise e suas companheiras de comunidade eram chamadas de “Mademoiselle”, pois ainda não haviam professado os votos, mas sim o compromisso de viver muito unidas a Jesus e de se preparar para assumir, de fato, a vida religiosa no tempo certo. Enquanto isso, procuravam viver na generosidade.

E Élise repetia em seu coração:

Tudo para a maior glória de Deus!”

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O grande e abençoado dia
Fundação da Congregação dos Santos Anjos

Finalmente a profecia se concretiza

Quando Barbe-Élise precisou deixar o convento do Espírito Santo para cuidar da sua mãe que estava doente, o Pe. Zosime, seu confessor, lhe dissera: “O convento onde você deve entrar, ainda não está fundado! Ajude sua família, receba alunas!”, certamente ela não imaginava o tamanho dessa grande revelação.

Mas, nove anos mais tarde, essa promissora profecia se concretiza. Élise chega a Lons-le-Saunier, não somente para dirigir uma escola, mas também para algo muito maior, para o qual vinha sendo preparada há muito tempo. O Senhor Deus, quando deseja uma pessoa para uma determinada missão, não só a escolhe, mas vai preparando seu coração e sua alma com Suas infinitas bênçãos e graças.

Com Barbe-Élise não foi diferente!

Ela que, desde criança, mantinha em seu coração o desejo de se consagrar a Nosso Senhor na vida religiosa, agora sente e percebe que esse é o momento do grande chamado, muito maior do que imaginou ou sonhou. E o Bispo abençoou sua decisão.

Assim, tendo recebido do Espírito Santo o Carisma Fundacional e, fiel aos desígnios de Deus, percebe que não poderia mais retardar a fundação da Congregação dos Santos Anjos. Sentia-se pequena, mas a urgência era eminente diante de tanta carência da vivência cristã, onde havia uma dominação dos ideais iluministas. Élise pronuncia, então, seu “Fiat” como a Virgem Maria a quem tanto amava.

Dom Antoine Jacques de Chamon, Bispo de São Cláudio, reconhece a nova família religiosa, chama Barbe-Élise de Fundadora da nascente Congregação e Superiora da Comunidade. E a profecia do Padre Zosime, de nove anos atrás, se concretizou.

Élise teve como suas primeiras Irmãs e companheiras, algumas colaboradoras que já trabalhavam no Internato desde à época de Anne Viret.   

Era o dia 15 de outubro de 1831. sábado

O outono se revestia de cor avermelhada tornando as paisagens mais solenes para receber a grande e sublime notícia da nova família religiosa que traz o belo nome de Congregação dos Santos Anjos, ‘suave lição e feliz esperança’.

A Fundadora e Superiora  começou a organizar a Comunidade Religiosa, os momentos de oração, a convivência fraterna, a hora de levantar e de deitar, o horário das refeições, das aulas e tarefas de cada uma, o tempo para o estudo, enfim, tudo o que é necessário para que a Vida Religiosa possa florescer, conforme o coração de Deus e ser presença de Jesus na igreja e na sociedade.

Será que foi fácil???

Em meio a muitas alegrias e consolações, dificuldades foram surgindo, o que era perfeitamente normal, pois todo início requer muito cuidado, desapego, coragem e dinamismo.

Porém, a Fundadora nunca se deixou levar pelos empecilhos, porque tinha a certeza em seu coração que o olhar misericordioso de Deus era constante.

E dizia-lhes:

“Entreguemos a Deus nossa vida, nosso futuro, nossas obras.”

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Casa em Lons-le-Saunier onde foi fundada

a Congregação dos Santos Anjos, no dia 15.10.1831.

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O desapego de Poligny e a partida para Lons-le-Saunier

“Tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus”. Rm 8,28

Deus tem um propósito de vida e de amor para cada criatura humana e concede-lhe dons específicos, espírito de sabedoria, de discernimento, de fortaleza e a capacidade de fazer escolhas conforme o próprio Evangelho de Jesus.

Barbe-Élise foi dotada desses e outros dons que, com determinação, coragem, e fé, soube conduzir o projeto que lhe era proposto.

Com a firme convicção de que deve aceitar o chamado para a nova missão, Élise, após ouvir conselhos de vários sacerdotes, inclusive do seu irmão Padre Bonaventure e do Bispo Diocesano, comunica às famílias das suas alunas, que a escola em Poligny, deixará de funcionar, no próximo ano escolar, tendo em vista ter sido chamada para assumir a direção do Internato Santos Anjos, em Lons-le-Saunier. A sociedade de Poligny, certamente muito pesarosa, acata o nobre motivo do fechamento da escola da professora Élise.

Devemos lembrar que na França, o ano letivo escolar tinha início no mês de novembro e terminava no último dia do mês de junho.

 

O nome Santos Anjos soa para Élise como uma suave brisa que aquece seu coração, alimenta seu espírito e fortalece seu desejo de adorar e servir a Deus, no mais íntimo do seu ser.

 

 Desde cedo ela fora impregnada pela devoção aos Santos Anjos, pelos filhos de São Francisco, Franciscanos e Capuchinhos, principalmente do Padre Josime, capuchinho, e grande amigo da família e do Padre Agathângelo, o fundador e protetor do Internato Santos Anjos.

 

Élise, após tomar todas as providências necessárias, pois era extremamente cuidadosa e organizada, com esperança e total submissão à vontade de Deus, parte para Lons-le-Saunier, juntamente com sua mãe, senhora Elisabeth-Genèvieve e a empregada Maria,  levando consigo a certeza de que o seu desejo de ser Religiosa estava para ser concretizado.Era o dia 21 de setembro de 1831.

Enfim, Lons-le-Saunier e a Direção da Escola!

Chegando a Lons-le-Saunier, Barbe-Élise foi recebida com alegria e cordialidade, sendo proclamada Diretora do Colégio.

O Colégio, de aparência modesta, estava localizado a Rua Saint-Désiré nºs 38-40, perto da igreja paroquial. Foi comprado pelo Pe. Agathângelo, profundamente preocupado com a formação cristã das crianças e jovens após a revolução francesa e outras invasões. Compunha-se de dois prédios, separados por um pátio, ligados por uma escada com um belo corrimão de ferro. Élise, começou por estruturar a escola, com disposição dos móveis o que tornou os espaços mais agradáveis e mais amplos.

Distribuiu as tarefas entre suas colaboradoras, recomendando às professoras que preparassem bem as atividades. A mãe de Élise ficou responsável pelas crianças.

Élise também preparou um prospecto que foi distribuído à população, o que era novidade em Lons, que começava assim: “Instrui teu filho e ele será tua paz, e fará as delícias de tua alma” (Eclo. 69). E o fim principal do Estabelecimento: “A Religião é a base de nossa educação”.

Depois dava, com precisão, os meios que seriam aplicados para estimular ao estudo as alunas que lhe fossem confiadas. “Haverá notas diárias em todas as matérias e em cada aula, cujo valor será conhecido pelas alunas.”. Enfim, eram cinco práticas estabelecidas com clareza.

E a entrada das aulas no dia 03 de novembro, anunciou-se próspera! Teve início com a missa do Espírito Santo, na paróquia, celebrada pelo padre Jean Ecoiffier. Em seguida, dirigiram-se ao colégio para os protocolos normais de início de ano, com as alunas internas e externas.

Sempre confiante e com o cuidado de tudo atribuir a Deus, Élise repetia: “É preciso, em qualquer tempo dizer: ‘Que vossa vontade seja feita, Senhor”.

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Prédio onde funcionou o Colégio dos Santos Anjos em Lons-le-Saunier, França.

Hoje em dia funciona comércio

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A busca constante de Élise e o surgimento de uma bela amizade

“É o sopro do Espírito Santo que vivifica os atos para a eternidade.” Manuscritos

Durante a experiência bem sucedida, na escola em Poligny, mas com certeza inquietante, Élise procurou aperfeiçoar-se na sua missão de professora e diretora, sem deixar de lado a vivência profunda de uma espiritualidade radicalmente evangélica.

Também buscava se aperfeiçoar nas artes, com diversos tipos de bordados, inclusive com cabelos, e outras atividades, uma forma agradável de orientar melhor suas alunas. Para isso, nas férias escolares, sempre que possível, ia a Lons-le-Saunier, para encontrar-se com, a também professora e diretora, a senhorita Anne Viret.

As duas almas extraordinárias partilhavam sua vida de oração, sua espiritualidade e o desejo de sempre mais agradar a Deus. Assim nasceu uma profunda e bela amizade.

A amizade, quando construída sob os pilares do Evangelho, torna-se um fascinante caminho que conduz à santidade. Élise e Anne, dão, assim, prosseguimento ao desejo impresso em seus corações, na busca constante de servir somente Àquele que é o consolo e o descanso de suas almas.

Anne Viret dirigia o internato Santos Anjos em Lons-le-Saunier para meninas e jovens. De saúde frágil, mas de caráter firme e determinado, foi conduzindo a educação das alunas a ela confiadas, de maneira admirável e honrosa e era estimada por todos.

Depois de algum tempo, Anne Viret adoeceu e veio a falecer. Antes do seu falecimento, expressou claramente seu desejo: que a sua substituta na direção do Internato fosse a sua amiga Barbe-Élise, de Poligny.

Élise, por sua vez, demorou dois longos anos para ter a certeza de que essa era a vontade de Deus. Quanto deve ter rezado, quantos aconselhamentos, quantas incertezas. Era preciso pensar na sua Escola, na mãe de saúde frágil e viúva, no seu profundo desejo de se consagrar ao Senhor, na vida religiosa.

Chegar a um consentimento total passa por um longo itinerário, em que a alma se desprende, pouco a pouco, dela mesma, abandona-se Àquele que tudo pode por ela e que só deseja ser amado.

E nessa etapa, a alma deseja somente Deus e nada mais.

Élise repetia mais tarde:  “Entreguemos a ELE nossa vida, nosso futuro ...”

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O Girassol está sempre voltado para o Sol. Assim, como Anne e Élise sempre voltadas para a Luz maior que é Deus.

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O sonho frustrado para a Vida Religiosa de Barbe-Élise e o sucesso como professora e diretora

“Deus se serve dos pequenos para realizar grandes obras”. Mère Poux

Nas férias escolares, Élise gostava de passar um tempo com sua tia religiosa da Congregação de Santa Marta, no Hospital “Hôtel-Dieu”, em Chalon.

Com a ternura de criança, mas com uma postura firme e determinada, acompanhava a Irmã enfermeira, cumprindo com carinho as funções de auxiliar, distribuindo roupas ou levando refeições aos doentes. Com a tia aprendia o caminho da espiritualidade.

Essa experiência marcou profundamente Élise, pois, por diversas vezes lembrava, com carinho, desse tempo abençoado, partilhando o aprendizado com as Irmãs e o quanto a fez crescer na misericórdia, na compaixão e no desejo de servir a Jesus nos pobres e doentes.

A vocação da futura Fundadora da Congregação dos Santos Anjos, foi se formando desde a sua tenra idade, com as orientações da mãe, da tia religiosa, no convívio e experiência de uma família profundamente católica e no contato com Padres e Religiosas. Cresceu e se tornou forte e vigorosa que nenhuma tempestade a fez sucumbir.

Barbe-Élise desejava ardentemente ser religiosa. Porém, sua irmã Geneviève entrou na Congregação das Irmãs do Saint Esprit, em Poligny, antes dela.

Algum tempo depois, Élise também, entrou na mesma Congregação, mas ainda não havia feito os votos. No entanto, sua mãe adoeceu e ela, colocou-se diante de Deus em profunda oração para saber o que deveria fazer e decidiu consultar seu confessor, Padre Zosime, que lhe disse: “O convento onde você deve entrar, ainda não está fundado! Ajude sua família, receba alunas!”

Que bela profecia!!! 

Palavras essas que serão a marca divina para autenticar a vocação de Barbe-Élise e o projeto da Congregação dos Santos Anjos.

E assim, obediente à vontade de Deus e pelo amor e cuidado com sua família, Élise volta para casa e abre uma escola, em 1822, com a devida autorização da Prefeitura, em um pequeno e agradável imóvel na propriedade da Família.

 Começa assim, sua carreira de professora e diretora, que perdurou por nove profícuos anos, com a colaboração de sua dedicada mãe.

A fama da nova professora, logo se espalhou. Suas alunas destacavam-se na sociedade, não só cientificamente, mas também junto às famílias, na Igreja e nos locais públicos, na postura adequada e pela educação que as distinguiam das outras crianças e jovens.

 

Nesse tempo exitoso, Barbe-Élise não deixou esmorecer o desejo de se tornar religiosa e entregar-se totalmente ao Senhor, como diria mais tarde: “Só a Deus busquemos!”

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Escola da professora Élise

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Conhecendo a Família POUX

Os pais de Barbe Élise casaram-se no dia 07 de setembro de 1795, em Besançon (Departamento do Doubs), França.

Ele, Bonaventure Poux, conheceu a ascensão social, o que permitiu seu casamento com uma jovem de uma grande família burguesa de Chalon-sur-Saône, Elisabeth-Françoise Geneviève Chandelux, enraizada, através de seus ascendentes, numa burguesia urbana, frequentada por advogados e ricos comerciantes.

As duas famílias, estão ligadas à vida da Igreja, cujas genealogias revelam vários padres e religiosas.

  • Após o casamento, moraram em Champagnole (Jura), onde nasceu o 1º. filho, um menino, Joseph Poux, no dia 1º. de agosto de 1796 e faleceu ainda criança nesse mesmo local.

 

A família, a seguir, se instala em Planches-en-Montagne. 

 

  • Em 24 de outubro de 1797, às onze horas da manhã, em Les Planches, nasceu a 1ª. filha, Barbe Elisabeth, a futura Madre Maria São Miguel, Fundadora da Congregação dos Santos Anjos.  Seu padrinho foi o irmão da mãe, Michel e a avó paterna, Barbe, sua madrinha.

 

  • Em 1799, no dia 29 de junho, nasceu Geneviève Poux, em Planches-en-Montagne.

Geneviève tornou-se religiosa na Congregação do Saint Esprit, em Poligny, onde recebeu o nome de Soeur Élisabeth. Faleceu em 1875, quando era superiora do hospital, em Nozeroy (Jura).

 

A família se instalou em Poligny, no ano de 1800.

 

  • No dia 18 de março de 1801, nasceu Pierre Joseph Poux, que morreu ainda jovem, em Lyon, no ano de 1819.

 

  • Em 17 de agosto de 1802 nasceu Jacques Bonaventure Poux. Bonaventure foi ordenado padre e mais tarde entrou nos Capuchinhos, recebendo o nome de Frère Claude - Marie Poux. Faleceu em 07 de agosto de 1846, às 3h da tarde.

Foi um grande amigo, conselheiro, confidente e colaborador de Madre Maria São Miguel.

  •  No dia 5 de agosto de 1804, nasceu Celinie Melanie Poux, que faleceu ainda bebê.

 

  • O 7º. filho, Charles Michel Poux nasceu no dia 20 de abril de 1812. Foi o único a se casar e teve dois filhos: um menino, que faleceu aos nove anos e a pequena Marie Poux, que acompanhou sua tia Mère Poux em Morez e Mâcon. Depois foi morar em Paray-le-Monial, onde faleceu, solteira.

 

O pai, Bonaventure Poux, faleceu em Poligny, no ano de 1829, e a mãe, Elisabeth -Françoise Geneviève Chandelux Poux, no dia 9 de abril de 1839, em Lons-le-Saunier, onde repousam seus restos mortais.

Agradeçamos a Deus por essa família tão abençoada!

O pai, homem zeloso em registrar a história da família, assim escreveu em sua caderneta o nascimento de Barbe Elisabeth:

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Infância de Bárbara Elisa

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Planches-en-Montagne  |  Lugar onde Élise nasceu

Quando Bárbara Elisa nasceu, a França vivia um período difícil, violento onde, a perseguição religiosa (ou ao catolicismo), era muito forte e assustadora. Por isso, a pequena Elise foi batizada na clandestinidade, para escapar da guilhotina, ela e sua família.

No entanto, Elisa, crescia forte e corajosa. Era inteligente,muito perspicaz e, rapidamente compreendia o significado de tudo o que lhe era ensinado pela mãe, muito zelosa nos seus princípios cristãos. Crescia física e sabiamente, distinguindo atitudes positivas que a ajudavam a ser melhor e a buscar o Deus somente, como diria mais tarde: “Deus só!”

Filha de uma família de princípios patriarcais e católica, Elisa viveu sua infância, até os 3 anos, em Planches-en-Montagne, Jura, uma pequena e pitoresca aldeia,em meio a uma bela e encantadora natureza. Cercada pelo carinho e cuidado dos pais, principalmente da mãe que, desde cedo, percebeu em sua filha uma terna inclinação na busca de crescer no caminho do bem, para agradar a Deus, ela ia delineando a direção que a levaria à santidade.

Com isso, sua mãe percebendo seus dons e suas inclinações, a orientavaatravés da Sagrada Escritura.A pequena Elisa, demonstrava grande contentamento com esses ensinamentos e levava tudo muito a sério.A doce menina, muito se alegrava com tudo o que lhes era narrado e, certamente, em seu íntimo de criança inquietae ativa pela busca de Deus, desejava ser sábia, forte e corajosa como os personagens das histórias que ouvia, sempre prontos e disponíveis em lutar pelo Reino dosCéus.

A mãe a aconselhava a ir à Igreja, visitar um altar de Nossa Senhora, rezar de mãos postas e de olhos fechados. Também aprendeu que era grande honra ajudar aos pobres, os preferidos do Senhor.

Elisa gostava de repetir as belas histórias para a empregada Maria e aos seus irmãos que, apenas, as compreendiam.

Quando Elisa contava com,aproximadamente, 4 anos de idade, a família, por questões financeiras e com a morte de sua avó paterna, mudou-se para Poligny, uma cidade maior com recursos que facilitavam o estudodos filhos.

Bárbara Elisa, cada vez mais,era atraída pelos livros.À medida que foi crescendo, interessou-se em aprender Latim e Grego para ajudar seu irmão Bonaventure nas tarefas de casa, pois ele começou logo a cursar o célebreColégio dos Jesuítas.

Esse traço mostra uma vivacidade de espírito e uma curiosidade intelectual, que jamais serão desmentidas.

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Adolescência de Barbe Élise

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A casa onde Barbe-Elise viveu a partir dos 4 anos, em Poligny.

“O atrativo especial de minha alma é amar Jesus Cristo pobre...”Mère Poux

Barbe Élise, nascida em Planches-em-Montagne, em 1797, viveu, a partir dos quatro anos de idade em Poligny.

Essa cidade era encantadora para ela. Tudo era motivo de alegria, entusiasmo e admiração. Acostumada a conhecer apenas uma pequena Igreja, em Planches, encontrou em Poligny, Igrejas grandes, bonitas e atraentes. Também algumas praças chamavam sua atenção.

Existia o Convento das Irmãs do Espírito Santo que mantinha um ‘asilo’ para crianças abandonadas e um internato para meninas. Élise tudo apreciava com encantamento.

A família de Élise era profundamente cristã e toda a formação religiosa foi orientada pela mãe. Para as duas filhas, Élise e Geneviève, a mãe também se ocupou da formação cultural e científica, pois, parece, que não havia escolas para meninas na cidade.

 Elise, dotada de muitos dons, aprendeu Piano em um Conservatório. Também gostava de ler e estudar. Haja visto que aprendeu Latim e Grego para ajudar seu irmão Bonaventure.

Quando Élise completou 15 anos, em 1812, a família passava por uma certa dificuldade financeira. A mãe era muito amiga da condessa du Hamel, que lhe ofereceu um trabalho: o cargo de preceptora (educadora), num castelo próximo a Meximieux, Departamento de L’Ain,onde lhe confiaram o cuidado e a instrução de uma criança.

Podemos imaginar o carinho e o desvelo da adolescente para com a criança, o que, logo conquistou a estima dos castelães, bem como a de um Bispo, expulso de sua Diocese e hospedado no Castelo, que conversava muitas vezes com a jovem professora, esclarecendo-a sobre a doutrina cristã, recomendando-lhe viver na presença de Deus e honrar a Santíssima Virgem. Também lhe ensinou uma devoção, que mais tarde, a Fundadora dos Santos Anjos aconselhou às suas religiosas: ‘rezar pela manhã e à noite, três Ave-Marias em honra da inocência e das virtudes de Nossa Senhora’.

No anode 1814, a França foi invadida pelos exércitos Prussianos e ocuparam o Castelo. Élise, então, decidiu voltar para junto de sua família. A viagem de volta, não foi fácil.

De volta à sua casa, em Poligny, Élise reviu sua amiga Elisa du Hamel. Ambas aspiravam à Vida Religiosa e rezavam juntas.

Confeccionavam roupas para as crianças necessitadas, suas vizinhas, para elas mesmas, bordavam para a igreja, e outros trabalhos manuais, que havia aprendido com a mãe. Assim, o costume, que permanece até hoje em nossos Colégios, de preparar enxovais para mães carentes, deve vir dessa bonita experiência.

Élise, passa a sua adolescência, entre sofrimentos e alegrias, na doação, na dedicação com seus irmãos, na cooperação com os pais e na busca constante de amar a Deus e só a Ele servir.

A futura Fundadora da Congregação dos Santos Anjos, dirá, mais tarde, às suas Irmãs: “Como os Anjos, fixai vosso olhar e vossa existência em Deus... Que nada possa vos desviar desta inabalável resolução de servir somente o Senhor”.

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